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"É estranho, sabe."
"O que é estranho?"
"Está silencioso demais lá fora. Dá para ouvir o silêncio. Ele pinga no meu crânio, um silêncio repetitivo, exaustivo. Você também não consegue ouvi-lo?"
"Agora que você mencionou, talvez consiga."
Ambos os homens estão agora olhando para as próprias mãos. Sentem frio, e provavelmente estariam tremendo se não estivessem repousadas em seus colos. Sentam-se em cantos opostos da pequena sala circular do farol. No meio, uma boca metálica desce para as entranhas do edifício, conduzindo a uma escada em espiral que se curva de volta ao seu início. Observemos melhor esses homens.
O primeiro homem é bastante alto, com uma barba desajeitada e mal aparada. Carrega uma expressão de desesperança e tédio, se tal coisa pode ser imaginada. De tempos em tempos, contrai o nariz, comprime as pálpebras e lança um olhar ao outro. Trabalham juntos há muitos anos, mas mal trocaram algumas palavras. Não sabem nada um sobre o outro.
E eis o porquê: o outro homem — de altura comum, peso comum, expressão comum — não quer que ninguém saiba sobre sua vida. Principalmente porque ele próprio não sabe muito sobre ela. Ele é um personagem de sua própria criação involuntária, sem ideia de qual é a peça, para onde ela vai, ou onde um ato termina e outro começa. Se a vida fosse uma casa, ele seria alguém apenas passando que foi convidado a entrar e aceitou apenas por polidez. Não obstante, é claro que ele não quer estar ali.
O homem alto ainda está inquieto com o silêncio interminável. Claro, foi um alívio ouvir a voz do homem comum, mas isso acabou agora. Dentro de sua cabeça, ele tenta falar consigo mesmo mas não ouve nada. O silêncio criou raízes profundas em seu cérebro e agora inunda seus pensamentos, encharcando suas memórias.
"Acho que vou dar uma caminhada."
O homem comum apenas levanta a cabeça, sem dizer nada. É incomum sair. Eles têm tudo de que precisam aqui. Em todos esses anos, ele nem se lembra de ter saído do farol. A comida se acumula — todo mês, alguém entrega caixas de comida e incontáveis garrafas de água. Roupas novas também. E tudo o mais. Eles só precisam cuidar do farol, vigiar a luz. Se não fosse por eles, a escuridão contaminaria o mundo, e o mar engoliria navios em seus dentes impiedosos.
O homem alto agora pode ser visto descendo a primeira escada, depois a segunda, mas o homem comum não ouve o clique da porta. Agora que está prestando atenção, não ouve nenhum passo enquanto o outro desce. Nada. Absolutamente nada. Ele começa a se sentir inquieto, mas não consegue permanecer assim por muito tempo. Rapidamente esquece esse estado de espírito desconfortável e retorna à sua indiferença atáráxica.
Uma hora se passa. A chuva começa a cair lá fora, como milhões de flechas tentando matar a luz amarela, sem saber que a luz é a alma deste mundo, não sua carne. Embora ainda não ouça nada, está, de fato, chovendo.
Então duas horas passam. Três. Quatro. Finalmente, um dia inteiro se vai. Ele adormece. Depois come. Termina a refeição e senta-se novamente no canto da sala, sozinho. O silêncio o cerca como líquido amniótico. O farol é um útero frio, mas ele não se importa nem um pouco. Afinal, ele nunca nascerá. Por um momento, tenta ouvir seus batimentos cardíacos, mas também estão silenciosos. Silenciosos demais.
Dois dias passam. Três. Depois uma semana. Ele ainda dorme, come, verifica as lâmpadas e lentes do farol, dorme, come, verifica as lâmpadas e lentes do farol — repetidamente, em silêncio.
Um mês inteiro se passa. Ele olha através das pequenas janelas circulares, mas lá fora há apenas nuvens, mar e, ocasionalmente, uma névoa branca e pálida. Tudo está deserto, e inquietantemente silencioso. Como o homem alto não está mais lá, o homem comum não fala. Com o tempo, ele até esquece como sua própria voz soa.
Alguns anos passam. Sete anos, para ser preciso. O homem alto nunca retorna. Os sons nunca retornam. Mas as caixas, as garrafas e as roupas continuam vindo. O farol continua funcionando. O que poderia ter acontecido com o outro? Ele desapareceu, fugiu ou morreu? Ou era apenas um sonho, e o homem comum sempre esteve sozinho desde o início? Essas perguntas não persistem por muito tempo. Seu coração atáráxico e voraz reduz tudo a migalhas. Sentimentos e emoções se tornam sobras — pensamentos fugazes. Talvez seja melhor assim, ele pensa, e depois esquece.
Mais anos passam — muitos, muitos anos. Ele não parece envelhecer. Ainda tem a mesma aparência: a mesma pessoa comum que sempre foi. É outra noite comum. Uma chuva leve mancha o mundo, e tudo se embaça, como se dissolvido de propósito. Como se alguém estivesse tentando apagar suas pegadas, encobrir as evidências. É possível, não é? Já levaram os sons.
Está quase na hora da entrega. Sempre acontece no mesmo dia do mês, por volta das oito da noite. Ele nunca viu o entregador, mas deve haver um. Desce a escada e abre a porta. Não há ninguém. O tempo passa: oito horas, oito e meia, nove. Ninguém vem. Ele sobe as escadas, dorme, acorda e desce novamente. Nenhuma caixa. Nenhuma garrafa. Nenhuma roupa. O mesmo acontece nos dias seguintes. Algo deve ter acontecido com o entregador, ele pensa. Talvez a empresa que mantém o farol tenha falido. Talvez o tenham esquecido. Ainda assim, ele espera. Espera uma semana inteira. Ninguém chega. A esta altura, sua comida e água acabaram. Seu estômago dói, embora não consiga ouvir seu ronco.
Pela primeira vez de que se lembra, ele abre a porta e sai. Caminha ao longo do penhasco, os olhos fixos no oceano. É infinito, provavelmente. Caminha por horas. Seus pés estão doloridos, e seu corpo está encharcado até os ossos. Então ele vê um feixe de luz amarelada. Outro farol. Talvez — apenas talvez — haja alguém lá. Comida. Roupas secas. Mesmo com os pés doloridos, ele corre.
A porta está escancarada. Ele entra. Não há ninguém dentro. No entanto, tudo parece perturbadoramente familiar. Atordoado, ele percebe que está de volta ao seu próprio farol. Como poderia ter caminhado na direção oposta e de repente retornado? Isso não é possível, ele tenta dizer — mas já não sabe mais como falar.
O clarão de luz corrói o cadáver imóvel do céu. Na carne escura e betuminosa da noite, a porta do farol se fecha.
O homem senta-se no chão e nota que alguém está ao seu lado, justo quando o silêncio finalmente se quebra — do modo como um lago congelado se quebraria se um avião em chamas caísse nele.
"É estranho, sabe."
"It is strange, you know."
"What is strange?"
"It's too quiet out there. You can hear the silence. It drips in my skull, a repetitive, exhaustive silence. Can't you hear it too?"
"Now that you mention it, perhaps I can."
Both men are now looking at their hands. They feel cold, and they would probably be shaking if they were not resting in their laps. They sit in opposing corners of the small, circular room of the lighthouse. In the middle, a metallic mouth descends into the guts of the building, leading to a spiral stairway that curves back to its beginning. Let us take a better look at these men.
The first man is rather tall, with a clumsy, poorly trimmed beard. He carries an expression of hopelessness and boredom, if such a thing can be imagined. From time to time, he twitches his nose, compresses his eyelids, and glances at the other. They have worked together for many years now, yet they have hardly exchanged a few words. They know nothing about each other.
And that is why: the other man — of regular height, regular weight, regular expression — does not want anyone to know about his life. Mostly because he himself does not know much about it. He is a character of his own involuntary creation, with no idea what the play is, where it is going, or where one act ends and another begins. If life were a house, he would be someone merely passing by who got invited inside and accepted only out of politeness. Nevertheless, it is clear that he does not want to be there.
The tall man is still uneasy with the everlasting silence. Sure, it was a relief to hear the voice of the regular man, but that is over now. Inside his head, he tries to talk to himself but hears nothing. The silence has taken root deep in his brain and now floods his thoughts, soaking his memories.
"I think I'll go for a walk."
The regular man only raises his head, saying nothing. It is unusual to go out. They have everything they need here. In all these years, he does not even remember leaving the lighthouse. Food piles up — each month, someone delivers boxes of food and uncountable bottles of water. New clothes too. And everything else. They only have to take care of the lighthouse, to watch over the beacon. If it were not for them, darkness would contaminate the world, and the sea would swallow ships in its ruthless teeth.
The tall man can now be seen climbing down the first stairway, then the second, but the regular man does not hear the click of the door. Now that he is paying attention, he does not hear any steps as the other descends. Nothing. Nothing at all. He begins to feel uneasy, but he cannot remain that way for long. He quickly forgets this uncomfortable state of mind and returns to his ataraxic indifference.
One hour passes. Rain begins to pour outside, like millions of arrows trying to kill the yellow light, unaware that light is the soul of this world, not its flesh. Though he still hears nothing, it is, indeed, raining.
Then two hours pass. Three. Four. Finally, a whole day goes by. He falls asleep. Then he eats. He finishes the meal and sits again in the corner of the room, alone. Silence surrounds him like amniotic fluid. The lighthouse is a cold womb, but he does not care at all. After all, he will never be born. For a moment, he tries to hear his heartbeat, but it is quiet too. Too quiet.
Two days pass. Three. Then a week. He still sleeps, eats, checks the lamps and lenses of the lighthouse, sleeps, eats, checks the lamps and lenses of the lighthouse — over and over, in silence.
A whole month passes. He gazes through the small circular windows, but outside there are only clouds, sea, and, on occasion, a pale white mist. Everything is deserted, and unsettlingly quiet. Since the tall man is no longer there, the regular man does not speak. In time, he even forgets how his own voice sounds.
Some years pass. Seven years, to be precise. The tall man never returns. The sounds never return. But the boxes, the bottles, and the clothes keep coming. The lighthouse keeps functioning. What could have happened to the other? Did he vanish, run away, or die? Or was he only a dream, and the regular man had always been alone from the beginning? These questions do not linger for long. His ataraxic, voracious heart reduces everything to crumbs. Feelings and emotions become leftovers — fleeting thoughts. This may be for the best, he thinks, and then forgets.
More years pass — many, many years. He does not seem to age. He still looks the same: the same regular person he always was. It is another regular night. A light rain stains the world, and everything blurs, as if dissolved on purpose. As if someone were trying to erase his footprints, to cover up the evidence. It is possible, is it not? They already took the sounds.
It is almost time for the delivery. It always happens on the same day of the month, around eight in the evening. He has never seen the courier, but there must be one. He climbs down the stairway and opens the door. No one is there. Time passes: eight o'clock, eight thirty, nine. No one comes. He climbs the stairs, sleeps, wakes, and climbs down again. No boxes. No bottles. No clothes. The same happens on the following days. Something must have happened to the courier, he thinks. Perhaps the company that supports the lighthouse went bankrupt. Perhaps they have forgotten him. Still, he waits. He waits an entire week. No one arrives. By now, he has run out of food and water. His stomach aches, even though he cannot hear its growl.
For the first time he can remember, he opens the door and steps outside. He walks along the cliff, his eyes fixed on the ocean. It is endless, probably. He walks for hours. His feet are sore, and his body is soaked to the skin. Then he sees a yellowish beam of light. Another lighthouse. Maybe — just maybe — there will be someone there. Food. Dry clothes. Even with aching feet, he runs.
The door is wide open. He enters. There is no one inside. Yet everything looks disturbingly familiar. Dazed, he realizes he is back in his own lighthouse. How could he walk away in the opposite direction and suddenly return? That is not possible, he tries to say — but he no longer knows how to speak.
The flash of light corrodes the motionless corpse of the sky. In the dark, pitch flesh of the night, the lighthouse door closes.
The man sits on the floor and notices that someone is beside him, just as the silence finally breaks — the way a frozen lake would if a burning plane fell into it.
"It is strange, you know."
"Es extraño, ¿sabes?"
"¿Qué es extraño?"
"Está demasiado silencioso ahí fuera. Se puede oír el silencio. Gotea en mi cráneo, un silencio repetitivo, agotador. ¿Tú también puedes oírlo?"
"Ahora que lo mencionas, quizás pueda."
Ambos hombres están ahora mirando sus propias manos. Sienten frío, y probablemente estarían temblando si no estuvieran reposando en sus regazos. Se sientan en esquinas opuestas de la pequeña sala circular del faro. En el medio, una boca metálica desciende hacia las entrañas del edificio, conduciendo a una escalera de caracol que se curva de vuelta a su inicio. Observemos mejor a estos hombres.
El primer hombre es bastante alto, con una barba torpe y mal recortada. Lleva una expresión de desesperanza y aburrimiento, si tal cosa puede imaginarse. De vez en cuando, contrae la nariz, comprime los párpados y lanza una mirada al otro. Han trabajado juntos durante muchos años, pero apenas han intercambiado unas pocas palabras. No saben nada el uno del otro.
Y he aquí por qué: el otro hombre — de estatura común, peso común, expresión común — no quiere que nadie sepa sobre su vida. Principalmente porque él mismo no sabe mucho sobre ella. Es un personaje de su propia creación involuntaria, sin idea de cuál es la obra, hacia dónde va, o dónde termina un acto y comienza otro. Si la vida fuera una casa, él sería alguien que simplemente pasaba por allí, fue invitado a entrar y aceptó solo por cortesía. No obstante, está claro que no quiere estar allí.
El hombre alto todavía está inquieto con el silencio interminable. Claro, fue un alivio oír la voz del hombre común, pero eso ya terminó. Dentro de su cabeza, intenta hablar consigo mismo pero no oye nada. El silencio ha echado raíces profundas en su cerebro y ahora inunda sus pensamientos, empapando sus recuerdos.
"Creo que voy a dar un paseo."
El hombre común solo levanta la cabeza, sin decir nada. Es inusual salir. Tienen todo lo que necesitan aquí. En todos estos años, ni siquiera recuerda haber salido del faro. La comida se acumula — cada mes, alguien entrega cajas de comida e incontables botellas de agua. Ropa nueva también. Y todo lo demás. Solo tienen que cuidar del faro, vigilar la luz. Si no fuera por ellos, la oscuridad contaminaría el mundo, y el mar tragaría barcos en sus dientes despiadados.
El hombre alto ahora puede verse bajando la primera escalera, luego la segunda, pero el hombre común no oye el clic de la puerta. Ahora que está prestando atención, no oye ningún paso mientras el otro desciende. Nada. Absolutamente nada. Comienza a sentirse inquieto, pero no puede permanecer así por mucho tiempo. Rápidamente olvida este estado de ánimo incómodo y regresa a su indiferencia atarásica.
Pasa una hora. La lluvia comienza a caer afuera, como millones de flechas intentando matar la luz amarilla, sin saber que la luz es el alma de este mundo, no su carne. Aunque todavía no oye nada, está, de hecho, lloviendo.
Luego pasan dos horas. Tres. Cuatro. Finalmente, pasa un día entero. Se duerme. Luego come. Termina la comida y se sienta de nuevo en la esquina de la habitación, solo. El silencio lo rodea como líquido amniótico. El faro es un útero frío, pero no le importa en absoluto. Después de todo, nunca nacerá. Por un momento, intenta oír sus latidos, pero también están silenciosos. Demasiado silenciosos.
Pasan dos días. Tres. Luego una semana. Todavía duerme, come, revisa las lámparas y lentes del faro, duerme, come, revisa las lámparas y lentes del faro — una y otra vez, en silencio.
Pasa un mes entero. Mira a través de las pequeñas ventanas circulares, pero afuera solo hay nubes, mar y, de vez en cuando, una niebla blanca y pálida. Todo está desierto, e inquietantemente silencioso. Como el hombre alto ya no está, el hombre común no habla. Con el tiempo, incluso olvida cómo suena su propia voz.
Pasan algunos años. Siete años, para ser precisos. El hombre alto nunca regresa. Los sonidos nunca regresan. Pero las cajas, las botellas y la ropa siguen llegando. El faro sigue funcionando. ¿Qué podría haberle pasado al otro? ¿Desapareció, huyó o murió? ¿O era solo un sueño, y el hombre común siempre había estado solo desde el principio? Estas preguntas no perduran mucho tiempo. Su corazón atarásico y voraz reduce todo a migajas. Los sentimientos y emociones se convierten en sobras — pensamientos fugaces. Quizás sea lo mejor, piensa, y luego olvida.
Pasan más años — muchos, muchos años. No parece envejecer. Todavía tiene el mismo aspecto: la misma persona común que siempre fue. Es otra noche común. Una lluvia ligera mancha el mundo, y todo se difumina, como si se disolviera a propósito. Como si alguien estuviera intentando borrar sus huellas, encubrir las evidencias. Es posible, ¿no? Ya se llevaron los sonidos.
Es casi la hora de la entrega. Siempre sucede el mismo día del mes, alrededor de las ocho de la noche. Nunca ha visto al repartidor, pero debe haber uno. Baja la escalera y abre la puerta. No hay nadie. El tiempo pasa: las ocho, las ocho y media, las nueve. Nadie viene. Sube las escaleras, duerme, despierta y baja de nuevo. Ninguna caja. Ninguna botella. Ninguna ropa. Lo mismo sucede los días siguientes. Algo debe haberle pasado al repartidor, piensa. Quizás la empresa que mantiene el faro quebró. Quizás lo han olvidado. Aun así, espera. Espera una semana entera. Nadie llega. A estas alturas, se le ha acabado la comida y el agua. Le duele el estómago, aunque no puede oír su rugido.
Por primera vez que recuerda, abre la puerta y sale. Camina a lo largo del acantilado, los ojos fijos en el océano. Es infinito, probablemente. Camina durante horas. Le duelen los pies, y su cuerpo está empapado hasta los huesos. Entonces ve un haz de luz amarillenta. Otro faro. Quizás — solo quizás — haya alguien allí. Comida. Ropa seca. Incluso con los pies doloridos, corre.
La puerta está abierta de par en par. Entra. No hay nadie dentro. Sin embargo, todo parece perturbadoramente familiar. Aturdido, se da cuenta de que está de vuelta en su propio faro. ¿Cómo pudo caminar en la dirección opuesta y de repente regresar? Eso no es posible, intenta decir — pero ya no sabe cómo hablar.
El destello de luz corroe el cadáver inmóvil del cielo. En la carne oscura y alquitranada de la noche, la puerta del faro se cierra.
El hombre se sienta en el suelo y nota que alguien está a su lado, justo cuando el silencio finalmente se rompe — del modo en que un lago congelado se rompería si un avión en llamas cayera en él.
"Es extraño, ¿sabes?"